terça-feira, 19 de junho de 2012

EDITORIAL: CIÊNCIA E EDUCAÇÃO COMO AGENTES TRANSFORMADORES


"É preciso que a iniciativa privada invista pesadamente em Educação e capacitação em ciência. Isso não apenas no nível universitário, mas ainda no Ensino Fundamental e Médio, onde é formada a juventude de um país", afirma jornal

Fonte: Correio Braziliense (DF)
Alguns termos tornaram-se muito conhecidos dos brasileiros desde a Rio-92. Sustentabilidade, por exemplo, tem sido muito utilizado, visto a aproximação da Rio+20. Empregado mais rotineiramente em referência a projetos relacionados ao meio ambiente, o termo cunhado em 1983 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento abriga, na verdade, um conceito muito mais amplo, que é o de garantir a capacidade de manter os crescentes níveis de desenvolvimento sem comprometer o atendimento às necessidades das futuras gerações.
Sob esse prisma, todos os projetos devem levar em conta a viabilidade econômica, ambiental e social. É, portanto, de grande valia a discussão sobre os temas centrais da Rio+20, que são a “economia verde” no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o crescimento sustentável. Trata-se de um ambiente propício, em que serão apresentadas as melhores práticas do mercado que enderecem esses temas.
O encontro também irá reforçar a ideia de que é possível, desejável e necessário investir em projetos sustentáveis e, com foco principal no capital humano e tecnologia, como fatores críticos capazes de impulsionar o Brasil frente à competitividade global.
Economias sustentáveis privilegiam a transformação eficiente de recursos em riqueza e a construção de uma matriz energética diversificada. Esse paradigma somente se realiza com profissionais de sólida formação acadêmica, que podem prover as empresas com tecnologia e inovação necessárias. Felizmente, esse passo fundamental foi dado pelo nosso país, que tem destacado entre seus principais objetivos a Educação, a ciência, a tecnologia e a inovação, e que serão debatidos durante a conferência.
Ciência e Educação são poderosos agentes de transformação social, mas sua ênfase é também um desafio para a sociedade. Agora é preciso que a iniciativa privada invista pesadamente em Educação e capacitação em ciência, tecnologia, engenharia e matemática — disciplinas que estimulam a descoberta, a aprendizagem exploratória e o raciocínio. Isso não apenas no nível universitário, mas ainda no Ensino fundamental e médio, onde é formada a juventude de um país.
Esse investimento poderá de fato promover uma transformação sem precedentes no sentido de criar uma nova economia do conhecimento no Brasil, globalmente competitiva e sustentável, que pode e deve ser alavancada por megaprojetos, como o do pré-sal. O risco de não continuarmos a investir nas áreas de ciência, tecnologia e inovação é impedir que o país atinja os níveis de competitividade necessários para se destacar no mercado mundial.
Mais do que um fórum de debates, a Rio+20 é um chamado para que as empresas assumam seu papel indelegável neste momento especial que o país atravessa. Investir em uma estratégia que privilegia a pesquisa e a inovação, o aumento de produtividade e competitividade do conteúdo local, o investimento social (principalmente em Educação) e o meio ambiente (incluindo a biodiversidade brasileira) é um dever de todo o empresariado realmente comprometido com o futuro do país. Assim fazendo, não somente estaremos cumprindo com nossas obrigações de empresários cidadãos, mas também agindo como esperam os nossos acionistas, com nossos parceiros e as comunidades onde atuamos. Estaremos sobretudo contribuindo para transformar o Brasil em um país melhor. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

EDITORIAL: FAMÍLIA E ESCOLA, UMA RELAÇÃO NECESSÁRIA


"A Escola, no seu dia a dia, deve se abrir à participação da família e construir com ela uma relação dialógica, crítica e libertadora, estimulando a participação dos pais em seu contexto", afirma jornal

Fonte: Estado de Minas (MG)
Os estudiosos da Educação há muito registram a importância da articulação família/Escola como um dos meios de aprimoramento do processo Ensino/aprendizagem dos Alunos. O discurso é quase uníssono: os empecilhos para a Educação eficiente e eficaz são maiores quando pais e Professores não se conhecem.
A Ouvidoria Educacional, da Ouvidoria-Geral do Estado de Minas Gerais, recebe um número significativo de reclamações, denúncias e solicitações de informação, que evidenciam, em algumas instituições Escolares, a falta de uma cultura embasada no fluxo claro e objetivo de informações e, especialmente, a falta de participação efetiva da família na vida Escolar do educando.
A falta de discussão e a divulgação deficitária de informações básicas que dizem respeito à vivência dos Alunos na Escola geram dúvidas, desconfianças e, muitas vezes, denúncias e reclamações infundadas. Pais, mães e responsáveis, por diversas vezes, vêm à ouvidoria por não se sentirem à vontade de ir à Escola para dialogar e acompanhar a trajetória Escolar de seus filhos. Muitas vezes esse sentimento de falta de receptividade na Escola se deve ao fato de terem vivenciado experiências malsucedidas, em que não se sentiram respeitados em seus direitos, diferenças e dificuldades ou por não perceberem abertura por parte dos profissionais da Educação na prestação de esclarecimentos quanto à vida Escolar de seus filhos.
Por outro lado, algumas apurações de denúncias e reclamações geram relatórios conclusivos que denotam a falta de participação da família na Escola, principalmente no acompanhamento do desempenho Escolar do Aluno, mesmo quando ela estimula e sensibiliza a comunidade quanto à importância da parceria entre as duas instituições.
A família é importante na construção de significados e significantes primordiais ao desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes. A formação de valores, crenças, costumes, postura, enfim, as formas de ser e de agir do cidadão são construídas no contexto familiar. Portanto, a convivência com a família deve se prolongar pelas fases de formação e desenvolvimento do ser humano.
No atual contexto social, percebe-se que valores como a ética e a cidadania estão sendo deixados de fora da formação do educando. É preciso uma integração dessas instituições, atuando com objetivos comuns, com pessoal comprometido e metodologias adequadas para resgatar esses valores, tão importantes na formação do caráter do educando.
Nesse sentido, a relação Escola/família é imprescindível à melhoria dos índices de qualidade da Educação. A família, como espaço de construção da identidade dos cidadãos, deve firmar parceria com a Escola, para juntas promoverem o desenvolvimento pleno da criança e do adolescente. Já a Escola assume seu papel de Educadora ao buscar o desenvolvimento do ser humano em todas as suas possibilidades.
A Escola, no seu dia a dia, deve se abrir à participação da família e construir com ela uma relação dialógica, crítica e libertadora, estimulando a participação dos pais em seu contexto. Por seu lado, os pais devem entender que a Escola não é a única instituição responsável pela formação de seus filhos, transferindo suas responsabilidades para ela.
O sucesso de qualquer proposta educacional certamente está relacionado à participação dos pais, ao interesse da família pela vida Escolar do Aluno, ao estímulo à leitura e aos estudos individuais e ao hábito de fazer e corrigir as atividades de casa, ingredientes dependentes da ação conjunta da Escola, da família e da comunidade – três parceiros que podem contribuir para o sucesso dos Alunos, para uma Educação de qualidade e, principalmente, para a formação plena de cidadãos.